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ESSAIS

A antropologia estrutural e histórica de Jean-Paul Sartre

5 mars 2005

Resumo : O objetivo do artigo é compreender os limites da antropologia estrutural e histórica de J.-P. Sartre, porque significa o húmus do seu pensamento maduro. Noutros termos, esse artigo deseja compreender a antropologia estrutural e histórica enquanto Ciência. Para tanto, é preciso compará-la à ideologia (razão analítica) que procura suprimir o princípio da não-conformidade entre o Ser e o Saber através do exame da estrutura teleológica do inorgânico. Assim, a antropologia estrutural e histórica revela que essa ideologia significa a alienação do conhecimento, porque dificulta o desenvolvimento do autêntico materialismo histórico na História ; porém, é importante salientar que essa alienação do conhecimento é um dado fundamental na composição da antropologia estrutural e histórica, uma vez que mostra os seus limites. Convém observar que esses limites configuram a antropologia estrutura e histórica enquanto método científico baseado no conhecimento da alienação.
Palavras-chaves : Antropologia estrutural e histórica, alienação do conhecimento e conhecimento da alienação.
Abstract : The objective of the article is to comprehend the limits of J.-P. Sartre’s structural and historical anthropology, because it means the apogee of his mature thought. In other words, this article tries to understand the structural and historical anthropology as a Science. Then, it is necessary to compare it to the ideology (analytical reason) that tries to suppress the principle of nonconformity between the Being and the Wisdom through the examination of the teleological structure of the inorganic. In this manner, the structural and historical anthropology reveals that this ideology means the alienation of knowledge, because it hinders the development of the authentic historical materialism in History ; however, it is important to point out that this alienation of knowledge is a fundamental aspect in the composition of the structural and historical anthropology, once it shows its limits. It is convenient to observe that these limits form the structural and historical anthropology as scientific method based on the knowledge of alienation.
Key-words : Structural e historical anthropology, alienation of knowledge and knowledge of alienation.
Mots-clés : Anthropologie structurelle et historique, aliénation de la connaissance et connaissance de l’aliénation.






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A antropologia estrutural e histórica de Jean-Paul Sartre

A antropologia estrutural e histórica representa o húmus do pensamento maduro de Sartre, porque oferece a possibilidade de compreender-se a relação entre a razão positiva e a Razão dialética baseada na objetivação da subjetividade e na subjetivação da objetividade. Grosso modo, essa relação demonstra o condicionamento da primeira sobre a segunda, e vice-versa. Por um lado, a Razão dialética configura-se como o limite interno da exterioridade da razão positiva, já que lhe dificulta a compreensão do papel que desempenha no processo histórico condicionado pelo fenômeno da escassez. Por outro lado, a razão positiva constitui-se como o limite externo da interioridade da Razão dialética, uma vez lhe obstrui a possibilidade de suplantar o princípio da não-conformidade entre o Ser e o pensamento.

Apesar de representar o limite externo do desenvolvimento interior da Razão dialética, a razão positiva contém alguns equívocos que devem ser apontados pela antropologia estrutural e histórica. Evidentemente, o maior desses equívocos é a incompreensão sobre o ponto de partida das relações históricas entre a interioridade do orgânico e a exterioridade do inorgânico. Noutros termos, falta à razão positiva o discernimento da relação unívoca da práxis com o meio circundante. Essa incompreensão motiva o estudo do homem apenas enquanto "objeto" do processo histórico, tornando-o abstrato. Percebe-se que a razão positiva hipostasia a objetivação da subjetividade e a subjetivação da objetividade, porque legitima o desenvolvimento dialético do orgânico através da estrutura teleológica do inorgânico. Decerto, é preciso constatar a existência dessa última, mas apenas enquanto interioridade-em-exterioridade condicionada pela exterioridade-em-interioridade do orgânico.

A razão positiva desconhece o caráter estrutural do materialismo histórico. Tal fato se deve à impossibilidade dessa razão compreender todos os aspectos da alienação humana, sobretudo aquele que representa a tessitura fundamental do processo histórico condicionado pelo fenômeno da escassez. Deve-se indicar o desconhecimento da referida razão no que tange ao seu próprio papel na composição da inteligibilidade da História, pois isso significa o seu limite enquanto Ciência que almeja originar a síntese inerte do inorgânico com o orgânico, através da obediência deste aos "postulados dialéticos" daquele. Esse papel representa justamente a identificação da razão positiva com a alienação do conhecimento. Por um lado, essa identificação permite compreender a esclerose dessa razão enquanto doutrina filosófica que almeja detalhar o pensamento autêntico de Marx. De certo modo, pode-se dizer que essa esclerose significa um empecilho na confirmação da passagem da pré-história para a história idealizada pelo filósofo alemão, porque o mesmo a configura a partir da eliminação de toda força possível de alienação na historicidade humana. Torna-se essencial destacar que o fundamento dessa eliminação baseia-se na criação da síntese inerte do orgânico com o inorgânico através do predomínio dialético deste sobre aquele. Por outro lado, porém, a citada identificação oferece a possibilidade da Razão dialética compreender os seus próprios limites, já que lhe revela, em exterioridade, o aparecimento da estrutura teleológica do inorgânico. Encontra-se implícita nessa identificação a tese de que a alienação do conhecimento representa um dado essencial no desenvolvimento da Razão dialética, uma vez que lhe indica a impossibilidade de transformar a relação entre a interioridade do organismo e a exterioridade do inorgânico num hiperorganismo. Contudo, ela não pode invalidar o pressuposto defendido pela Razão dialética acerca da existência do sentido diacrônico da História : « SENTIDO DIACRÔNICO DA HISTÓRIA : direção axial em relação à qual se poderia definir (e corrigir) todo desvio possível, hoje e no futuro infinito da interioridade »1.

A compreensão global da alienação do conhecimento depende do esclarecimento da disparidade dialética entre a intenção do agente histórico e o resultado objetivado dessa intenção, porque essa disparidade revela como o desejo do orgânico em criar com o inorgânico a síntese "viva" de ambos, resulta na aparição da síntese "inerte" deles próprios. Torna-se primordial destacar a importância dessa última na consolidação da práxis enquanto dialética constituinte e constituída, já que revela a impossibilidade da exterioridade do inorgânico em suplantar a interioridade do orgânico, e vice-versa. Toda a experiência crítica proposta pela antropologia estrutural e histórica baseia-se nesta consolidação, uma vez que a mesma detalha a luta da práxis para conhecer a si mesma no processo histórico condicionado pelo fenômeno da escassez. É pertinente acrescentar que essa luta se identifica com o conhecimento da alienação da historicidade humana, porque ela especifica a relação unívoca da interioridade do orgânico com a exterioridade do inorgânico ora através do predomínio da primeira sobre a segunda, ora a partir da supremacia da segunda sobre a primeira.

Percebe-se, então, a importância de se pesquisar acerca do papel desempenhado pelo conhecimento da alienação na antropologia estrutural e histórica. Antes de mais nada, porque ele demonstra a existência do conceito que determina a historicidade humana – o universal singular – tanto através do trabalho realizado pelo ser-exterior-a-si dessa historicidade, quanto daquele efetuado pelo ser-interior-a-si. Além disso, esse papel também elucida a autêntica relação da Razão dialética com a razão positiva, ressaltando-se que essa relação não aponta somente os equívocos desta em torno da teoria da História elaborada por aquela, mas também indica a profunda inteligibilidade dialética da razão positiva.

O conhecimento da alienação

O início da pesquisa sobre o conhecimento da alienação deve pautar-se na compreensão da alienação primitiva, pois esta relaciona-se diretamente com a objetivação da subjetividade e a subjetivação da objetividade. Para tanto, é vital acompanhar o desenvolvimento desse conceito no pensamento sartriano, sobretudo no que diz respeito a Critique de la raison dialectique. É a partir desse acompanhamento que será possível entender a outra esfera do conhecimento da alienação, ou seja, a alienação objetivada. Além disso, ele também possui a faculdade de iniciar o esclarecimento da pedra angular da antropologia estrutural e histórica, isto é, a disparidade dialética entre a intenção do agente histórico e o resultado objetivado dessa intenção.

A alienação primitiva

Em L'Être et le Néant, a alienação primitiva originava-se através do desejo inatingível do para-si em conquistar a densidade plenária do ser2. Pode-se dizer que esse para-si almejava superar a disjunção ontológica do Ser, pois isso poderia trazer-lhe a possibilidade de preencher o vazio de ser que o caracteriza. Nota-se, no entanto, que essa busca não poderia ser realizada à margem da existência do outro, apesar da mesma não fundamentá-la. Diante disso, deve-se esclarecer que a alienação primitiva não contém, ao menos aparentemente, o gérmen abstrato da socialização humana. Entrementes, o desenvolvimento dessa alienação somente se realiza através da alteridade que cada liberdade humana mantém com o seu semelhante. Dessa forma, o desenvolvimento da alienação primitiva reflete incondicionalmente a existência do conflito ontológico entre os para-sis. É pertinente observar que a socialização produzida neste desenvolvimento espelha a luta interminável da liberdade humana para objetivar o seu semelhante, e vice-versa. Assim, torna-se fundamental considerá-la como o "irrealizável-a-realizar" da condição humana, porque ela revela tanto a impossibilidade do ser-para-outro pertencer a alienação primitiva, quanto à necessidade dessa última desenvolver-se através da aparição do outro enquanto alteridade :

« Tal conjunto, com efeito, é aquilo que sou ; mas, como observamos no início de nossa segunda parte, o Para-si não pode ser nada. Para-mim, eu não sou professor ou garçom, assim como tampouco sou bonito ou feio, judeu ou ariano, espiritual, vulgar ou distinto. Vamos chamar de irrealizáveis tais características (...) Todavia, esses irrealizáveis não nos são apresentados somente como irrealizáveis : com efeito, para que tenham o caráter de irrealizáveis, é necessário que se desvelem à luz de algum projeto que vise realizá-los. E é exatamente, com efeito, aquilo que há pouco observávamos, quando mostramos o Para-si assumindo seu ser-para-o-outro no e pelo próprio ato que reconhece a existência do outro. Correlativamente, portanto, a tal projeto assuntivo, os irrealizáveis desvelam-se como 'a realizar'. Antes de tudo, com efeito, a assunção efetua-se na perspectiva de meu projeto original : não me limito a receber passivamente a significação 'feiúra', 'enfermidade', 'raça', etc., mas, pelo contrário, só posso captar esses caracteres – a simples título de significação – à luz de meus próprios fins. »3

Como se vê, a materialidade do para-si não representa o fundamento primordial da alienação primitiva, mas sim uma conseqüência importante do desenvolvimento desta no Universo. Nesse plano, pode-se indicá-la como um fator essencial na composição da socialização humana enquanto alteridade, porque ela retrata de maneira ímpar a luta interminável da liberdade humana para objetivar o seu semelhante. Todavia, não visualizar essa materialidade como fundamento primordial da alienação primitiva pode motivar a incompreensão prática do conceito que determina a historicidade humana – o universal singular –, uma vez que o mesmo depende da identificação da materialidade do homem com a alienação primitiva. No entanto, é ilegítimo assinalar que a exposição da alienação primitiva em L'Être et le Néant caracteriza essa última como uma obra anti-histórica.

O redimensionamento da alienação primitiva acontece justamente no tomo I da Critique de la raison dialectique. Nesta obra, ela não significa mais a tentativa fracassada do para-si de conquistar a densidade plenária do ser, mas sobretudo a relação unívoca da práxis com o meio circundante. Decerto, essa relação está fundada no desejo hipotético do orgânico de criar com o inorgânico a síntese "viva" entre ambos. Contudo, esse desejo somente será exposto ex-professo na antropologia estrutural e histórica quando esta elucidar parcialmente o sentido sincrônico da História. Pode-se assinalar que a alienação primitiva é um dado fundamental na compreensão da Verdade do homem, já que revela o trabalho ininterrupto da materialidade do orgânico sobre a materialidade do inorgânico. Apesar da antropologia estrutural e histórica defender que ela está presente em todos os momentos do processo histórico condicionado pelo fenômeno da escassez, é temerário identificá-la somente através desse processo. Isso acontece porque essa alienação contém a possibilidade, ao menos hipotética, de sobreviver caso o fenômeno da escassez fosse eliminado :

« A raridade é dada como um fato, uma contingência. Na medida onde a alienação resulta da raridade, ela se torna contingente e não-necessária. Convém, portanto, distinguir a alienação que resulta necessariamente da materialidade e da alteridade – à margem de toda raridade – e a História tal como ela se desenvolve, necessária a partir do fato contingente da raridade. »4

Aliás, é essa possibilidade que legitima a alienação primitiva enquanto elemento fundamental do aspecto histórico da antropologia estrutural e histórica, uma vez que lhe dá a segurança necessária para revelar a soberania da interioridade da práxis mesmo quando essa última é transformada em exis. Nota-se que ela praticamente invalida a tese de que a alienação primitiva possa ser um dia superada pela práxis, já que representa a tessitura fundamental da mesma. Diante disso, torna-se perfeitamente inteligível o enunciado dialético que assinala a existência da objetivação alienada da historicidade humana. No entanto, isso não significa a legitimação, por parte da antropologia estrutural e histórica, do statu quo que vigora nos conjuntos sociais produzidos pelo descompasso entre as forças produtivas e as relações de produção. Pelo contrário, a alienação primitiva é justamente o fator que permite a historicidade humana superar o seu ser-exterior-a-si.

A alienação objetivada

A alienação objetivada representa a síntese inerte produzida pelo trabalho do orgânico junto ao inorgânico. Essa síntese não elimina a interioridade do orgânico e tampouco a exterioridade do inorgânico, apesar de indicar ora o predomínio da primeira sobre a segunda, ora a supremacia da segunda sobre a primeira. É necessário esclarecer que a alienação objetivada é um elemento fundamental do aspecto estrutural da antropologia estrutural e histórica, porque especifica as variáveis do inter-relacionamento entre a infra-estrutura e a superestrutura de um determinado conjunto social. Percebe-se que o funcionamento dela está atrelado, ao menos em nossa História, ao fenômeno da escassez, porque esse último viabiliza a aparição da alienação objetivada tanto como ser-exterior-a-si da historicidade humana, quanto como ser-interior-a-si. Provavelmente a superação do fenômeno da escassez exigiria o redimensionamento dessa aparição, sobretudo no que diz respeito ao ser-interior-a-si do agente histórico. Entrementes, isso não significa que a alienação objetivada não possa ser superada temporariamente em nossa História. Para tanto, basta excluir o descompasso existente entre as forças produtivas e as relações de produção. É a partir disso que a antropologia estrutural e histórica pôde iniciar o seu entendimento junto ao autêntico materialismo histórico, já que ambos defendem essa superação.

Esse entendimento baseia-se em dois pontos principais. Em relação ao primeiro, pode-se qualificá-lo como o aspecto positivo do encontro entre a antropologia estrutural e histórica e o materialismo histórico. A razão disso fundamenta-se no reconhecimento, por parte de ambos, do papel desempenhado pelo fenômeno da escassez no processo histórico. Desse modo, o caráter estrutural da antropologia estrutural e histórica pode adequar-se ao materialismo histórico. Contudo, isso não quer dizer que a compreensão da alienação objetivada na antropologia estrutural e histórica é exatamente idêntica àquela proferida pelo materialismo histórico. Já em relação ao segundo, deve-se compreendê-lo como o aspecto negativo do encontro entre ambos, pois existe uma disparidade no grau de importância conferido ao fenômeno da escassez pela antropologia estrutural e histórica daquele descrito pelo materialismo histórico. Talvez a necessidade de explicar a disparidade dialética entre a intenção do agente histórico e o resultado objetivado dessa intenção fundamente a ênfase maior dada a esse fenômeno pela antropologia estrutural e histórica. Mas, seguramente, ela é a responsável pela objeção dessa última ao materialismo histórico, pois este não ressalta de maneira satisfatória o aspecto histórico da historicidade humana. Na verdade, faltam-lhe alguns instrumentos importantes de análise, sobretudo no que diz respeito ao desenvolvimento prático do ser-interior-a-si da historicidade humana. Contudo, isso não chega a ser uma falha do materialismo histórico, uma vez que o mesmo estava mais preocupado em fundamentar a passagem da pré-história para a história. Logo, cabe à antropologia estrutural e histórica desenvolver minuciosamente o aspecto histórico da historicidade humana5, visto que isso é fundamental para a sua consolidação enquanto ideologia no seio da filosofia marxista :

« De minha parte, chamo de ideologia simplesmente ao fato de que, no interior da filosofia reinante – no interior, pois do marxismo –, outros trabalhadores surgem depois do desaparecimento dos primeiros grandes filósofos e estão obrigados a ir adaptando perpetuamente o pensamento às mudanças quotidianas, dando um balanço nos acontecimentos na medida mesma em que se processam (...) É assim também que, na minha opinião, os assim chamados filósofos da existência deveriam, de preferência, ser denominados ideológos da existência, pois representam um certo número de indivíduos, um grupo, uma tendência que buscam valorizar e desenvolver algumas terras não exploradas pelo marxismo ? Em especial porque, digamos, o marxismo é uma filosofia extensiva e não uma filosofia intensiva. Porque é sempre necessário cuidar do mais urgente. »6

Todo o esforço desse trabalho baseou-se na tentativa de compreender melhor o funcionamento do conhecimento da alienação na antropologia estrutural e histórica. Entrementes, isso não significa detalhar todos os aspectos desse funcionamento, já que isso demandaria uma longa exposição sobre os tomos I e II da Critique de la raison dialectique. Assim, foi nosso propósito desenvolvê-lo até certo ponto, visando revelar a disparidade dialética entre a intenção do agente histórico e o resultado objetivado dessa intenção, pois esta representa o ponto nevrálgico da antropologia estrutural e histórica. Noutros termos, a intenção do trabalho foi elucidar o conhecimento da alienação na exata medida onde este pudesse revelar como o desejo do orgânico em constituir com o inorgânico a síntese "viva" de ambos, se transforma na aparição da síntese "inerte" da interioridade do orgânico com a exterioridade do inorgânico.

 

 

Notes

1 Sartre, Arlette-Elkaïm, « Établissement du texte », notes et glossaire de la Critique de la raison dialectique - tome II : L'Intelligibillité de L'Histoire, Paris, Éditions Gallimard, 1985, p. 461.

2 "A alienação fundamental não vem, como O Ser e o Nada poderia fazer crer, eqüivocadamente, de uma escolha pré-natal : mas da relação unívoca de interioridade que une o homem como organismo prático ao seu meio circundante", in Sartre, Jean-Paul, Critique de la raison dialectique - tome I : « Théorie des ensembles pratiques », texte établi et annoté par Arlette-Elkaïm Sartre, Paris, Éditions Gallimard, 1960, p. 337.

3 Sartre, Jean-Paul, O Ser e o Nada, Tradução de Paulo Perdigão, Petrópolis, Editora Vozes, 1997, pp. 646-648.

4 Aron, Raymond, Histoire et dialectique de la violence, Paris, Éditions Gallimard, 1973, p. 252.

5 Desenvolver minuciosamente o aspecto histórico da historicidade humana significa detalhar o conceito de liberdade alienada. A compreensão desse último é realizada por quatro momentos :

- a. especificidade do agente histórico em relação a determinada época histórica, ou seja, a diferenciação da parte em relação ao todo ;

- b. compreensão dessa determinada época através da ação desta especificidade, isto é, o entendimento que a parte reflete o todo ;

- c. ligação das diferentes épocas inscritas na História ;

- d. obtenção da inteligibilidade da História através da compreensão de que cada época histórica possui a capacidade de espelhá-la.

6 Sartre, Jean-Paul, Sartre no Brasil : A Conferência de Araraquara, Tradução de Luiz Roberto Salinas Fortes, São Paulo, Editora da Unesp, 1986, p. 45.

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